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sábado, 8 de novembro de 2008

coisas nossas - fado


O fado é uma mistura,
de amor, saudade, emoção,
espectáculo e porque não,
ternura...
Podia acrescentar
que somos uma terra de saudosistas,
de gente que parte, com e sem calma,
que faz eco às vozes fadistas,
que cantam o que lhe vai na alma...

Não conseguem esquecer
as gentes e os lugares do país amado.
Mesmo que nunca voltem,
jamais esquecem o passado...
E é por isso que cantam,
a canção da alma, o fado.
Sonham e deixam cair uma lágrima,
agarrados ao tempo desejado...
As coisas que me fazes dizer, por descobrires, algures, um azulejo copiado pelo Malhoa...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

décima oitava história

O banco esteve à nossa espera e nós não aparecemos...

Temos andado ocupados com outras coisas,
mas não esquecidos, das nossas histórias...
Quando voltámos ao nosso banco,

já estava rodeado de algumas folhas,
não estivéssemos no Outono...
Tivémos de nos aconchegar,
porque as sombras já começam a ficar gélidas...

domingo, 6 de julho de 2008

décima sexta história...

Depois da curva,
subimos mais um pouco,
e descobrimos,
finalmente,
o nosso lugar mágico...

É tão especial,
por tudo.
Pela beleza natural,
por ser ao mesmo tempo,
campo, serra e mar...
e também, por estar escondido
de olhos curiosos,
e até das reportagens
de revistas de viagens...

Quantas vezes,
estas águas,
receberam o nosso amor...


segunda-feira, 30 de junho de 2008

décima quinta história...


Todas as estradas nos levam a algum lugar...
Mas esta era, e é, diferente,
leva-nos a um lugar especial,
que ainda tem as nossas marcas...

Claro que são marcas invisiveis,
só nós as detectamos...
porque foram desenhadas
com os nossos corpos...

domingo, 8 de junho de 2008

décima segunda história...


Quando olho esta janela,
penso logo numa quase irmã,
também branca e de madeira...

Chegámos, cansados,
de tantas descobertas...
faltava a maior...

Ainda jantámos em grupo,
depois desculpámo-nos com o cansaço
e fomos andando.

A janela fechou-se...
Assim como o porta.
Era a nossa primeira noite, juntos.
Íamos acordar,
pela primeira vez, ao lado um do outro,
como os verdadeiros casais...

terça-feira, 3 de junho de 2008

décima primeira história...


Gostavas de partir,
eu também...
e não precisávamos de uma caravela,
para desbravar mundos...
Preferimos o comboio,
no nosso inter-rail,
surpreendente e inesquecível,
graças ao (falso) encontro-surpresa,
e logo em Paris...
Nunca percebi se eles acreditaram mesmo,
que tinha sido apenas a mão de cupido
a provocar este nosso reencontro...
Percebi apenas que não acharam muita piada,
ao nosso amor, aos nossos programas pessoais,
e claro, à substituição dos companheiros de tenda...
Lembras-te?
Paris foi nossa...
Tal como Roma, Veneza ou Milão...
Será que ainda gostas de partir?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

décima história...

Às vezes parecia que moravas

na torre de um palácio,
guardada a sete chaves...

Especialmente no tempo de férias.

Nesses dias livres,
com espaço para quase tudo,
procurava-te sempre, em vão,
depois das futeboladas de rua.

Quando te descobria,
estavas sempre acompanhada,
nem sequer acenavas...

Ficava cheio de dúvidas,
talvez sim, talvez não...

Dúvidas que se desfaziam
com o começo das aulas...

Quem diria,
a escola era a nossa Liberdade...

terça-feira, 27 de maio de 2008

nona história...

A tua varanda não era assim...
não tinha cadeiras ou mesa,
nem aqueles azulejos azuis vistosos,
mesmo assim lembrei-me da tua varanda,
das vezes que passava na tua rua
e ficava preso à janela e ao gradeamento de metal,
com a esperança que aparecesses...

Ficava por ali, largos minutos,
a cirandar de um lado para o outro,
à espera de um olhar, de um aceno,
que raramente aconteciam...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

sétima história...

O moinho continuava imponente,
no alto do monte.
Foi pena as velas não estarem desfraldadas,
para rodarem ao sabor do vento,
que soprava tão forte...
Neste dia sim,
ele levantava-nos os cabelos,
as roupas e prometia ajudar-nos a voar...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

quinta história...

Aquele amanhecer foi único...
Não pregámos olho nessa noite,
andámos de festa em festa, até os bares fecharem.
Os amigos também foram voando,
quando olhámos um para o outro,
restávamos apenas os dois...
Não sei se bebemos mais que a conta...
muito menos qual era a conta,
sei apenas que deixámos o carro em qualquer lugar
e fomos esperar a madrugada à beira da Lagoa...
As coisas que fizemos, enquanto o dia não clareou...
Depois olhámos abraçados,
aquele amanhecer único...

domingo, 11 de maio de 2008

terceira história...

Aproximaste-te de mim,
pediste-me um beijo e uma mão...
Depois fomos andando de mão dada ao encontro das rochas,
trocando palavras e sorrisos.
A poucos metros das ondas calmas do nosso Mar,
perguntei-te se querias tomar banho.
Sorriste, admirada,
antes de confessares que não tinhas trazido fato de banho, nem biquíni.
Disse-te que isso não era problema, que a praia era quase só nossa...
Voltaste a sorrir, e sem palavras, caminhaste na direcção do mar.

Sentado na areia, fiquei a olhar-te,
enquanto molhavas os pés e levantavas ligeiramente o vestido...
queria saber até onde ia a tua coragem...

fiquei meio desiludido, foi apenas até aos joelhos...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

segunda história...

Marcámos encontro na praia, numa manhã solarenta...
Sabia tão pouco de ti...
Nem sequer sabia se usavas biquíni, fato de banho ou nada...
Sim podias gostar de abraçar o Atlântico como vieste ao mundo.
Não serias a primeira nem a última...
Enquanto esperava fui atirando seixos ao mar.
Quando olhei para trás, descobri-te quase escondida num chapéu de abas, a acenares-me...
Eras lá mulher de falhar um encontro...